Para algumas pessoas, o agora significa já, um momento imediato e breve. Que já passou, ou que só dura enquanto passa. Um agora urgente entre um antes perdido e um depois incerto.
Para outros, agora é hoje: o tempo de vigília entre duas noites. Ou, para os mais conceituais: o período de 24h entre ontem e amanhã. Um agora rotineiro e cotidiano, por vezes sacudido pelo inesperado.
Para outros ainda, agora é o tempo da sua vida, entre a dos pais e a dos filhos, ou entre os antepassados e a descendência. Um agora mais histórico, pleno de narrativas.
Agora é o presente: o tempo da graça e da inocência para uns. Um tempo de lamento e de temor para outros. Lamento por um passado perdido, temor de um futuro em que a única certeza é a do fim. Alegria ou terror – questão de escolha?
Alguns sofreram o trauma de um passado doloroso, ou sofrem com a culpa por graves erros cometidos. O presente, então, se torna prisioneiro do passado e prolonga o sofrimento. Some-se o medo de um futuro incerto e de uma morte certa, que até então pode ser encarada como alívio.
Uma forma positiva de viver o presente é a inocência: a ignorância ou o esquecimento do passado e do futuro. Ingenuidade, terapia ou loucura – de qualquer forma, um desconhecimento do tempo, voluntário ou não.
Vivenciar e compreender são capacidades que requerem vida e inteligência. Duas dádivas. E só por ter escrito esses primeiros parágrafos, entro em estado de graça, pleno de gratidão. Que é a forma mais positiva de viver o presente.
Escrito por Jaime Wagner
Imagem: Canva








