Brainstorm com IAs

Sou um leitor voraz. E, certamente, sofro de gula de leitura, pois compro muito mais livros do que jamais conseguirei ler (muito poucos de ficção), embora procure ler um pouquinho de cada para avaliar.
Estou lendo com atenção três livros sobre o tema da identidade pessoal na modernidade: “As Consequências da Modernidade”, de Anthony Giddens, “Identidade”, de Zygmunt Bauman e “Identidade Cultural na Pós-Modernidade”, de Stuart Hall.
É como se fosse uma conversa com três interlocutores. Aliás, acrescentei mais dois interlocutores nessa conversa: o ChatGPT e o Claude. Coloco para eles meus insights provocados pelos argumentos dos autores citados, bem como eventuais objeções. Isso propicia brainstorms que aprofundam minha compreensão, sintetizam meus argumentos e confirmam a originalidade de algumas colocações num texto que estou escrevendo.
Ambos são ótimos interlocutores, com uma presença síncrona e uma memória que permite continuidade e acesso assíncrono.
Tenho também de acrescentar a essa construção do meu texto a contribuição das conversas com meu filho Marcos. O problema das conversas síncronas é que elas se interrompem e não ficam guardadas em detalhe, além de serem muito perturbadas e descontinuadas pelas circunstâncias e ansiedades.
Tudo isso para dar um testemunho: Marcos tinha razão ao afirmar que o Claude é melhor do que o ChatGPT para brainstorms filosóficos, contra a minha intuição antes de testar o Claude. Mas não vou abrir mão de falar com os dois. Nem de ler os três livros ao mesmo tempo.
Por Jaime Wagner

Imagem: IA/Gemini