Nas sociedades tradicionais, havia um forte consenso sobre o que era certo e errado. Valores transmitidos pela família e pela educação eram vistos como verdades objetivas — sancionadas por autoridades, pelos ancestrais e até pelos deuses.
Com o surgimento da psicologia como “ciência”, a linguagem moral foi substituída. O que antes era considerado bom, justo ou virtuoso passou a ser descrito como “saudável”. A ideia de uma vida boa foi, em muitos casos, traduzida como uma vida psicologicamente ajustada — um critério que, sob aparência científica, ainda carrega valores sobre o que é considerado adequado ou desejável.
Hoje, em um mundo marcado por mobilidade, diversidade e excesso de informação, esses referenciais tradicionais perderam força. Cada indivíduo passou a ter que definir por conta própria como agir.
Nesse contexto, é tentador cair em um hedonismo renovado, em que o sentimento se torna o principal critério de decisão. Mas o sentimento é imediato e limitado ao presente. Ele não consegue, sozinho, avaliar consequências de longo prazo, efeitos indiretos ou impactos mais amplos. É aí que entra a razão.
É por isso que meu livro se chama Tempo e Razão.
Nele, defendo que:
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Tempo é vida — não apenas trabalho;
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Não existe “gestão do tempo”, mas decisões mais ou menos racionais;
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O problema central é definir prioridades;
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A maior dificuldade está em definir valores e metas que realmente orientem a ação.
Escrito por Jaime Wagner








