Amadurecimento repentino

Comecei 1974 como um jovem, terminei como adulto.

Tinha voltado da viagem pela Europa ainda meio hippie, com cabelão e barba, meio estudante, decepcionado com a faculdade de eletrônica, sem saber o que fazer do resto da minha vida.

Continuava a ter contato com meus ex-colegas do Aplicação, mas passei também a frequentar a turma da ESEF e namorei duas meninas muito bonitas. A Elaine era de Novo Hamburgo e a Ana era de Caxias e tinha sido Miss Rio Grande do Sul, tirando segundo lugar no Miss Brasil em que a Vera Fischer tinha sido a primeira. Era uma turma bem diferente da turma do Aplicação, sem veleidades intelectuais, mas de muita camaradagem.

Hoje, desde uma perspectiva madura, vejo como eu era ignorante da realidade da vida. Acho que isso é comum a todos os jovens. Um desejo de autonomia em conflito com a segurança da casa paterna. No meu caso, a autoconfiança superava a insegurança em relação a um futuro incerto, sem grande base na realidade. Eu não tinha planos, só desejos e as perspectivas tradicionais da vida adulta. Iria me formar, casar, ter uma casa, filhos, trabalhar…

Em outubro, meu pai foi fazer uma cirurgia que seria simples, para extração de pólipos benignos no intestino. A operação correu bem, mas o médico não prescreveu uma dieta adequada. Fui visitar o pai no hospital e o encontrei bem. Acho até que presenciei ele comer. Naquela noite ocorreu uma ruptura do intestino que havia sido raspado. Tenho convicção de que foi porque ele comeu demais. No dia seguinte ele teve uma septicemia aguda. Fui chamado ao hospital às pressas pela minha mãe com ele já na UTI. Nunca vou esquecer o olhar dele para mim, triste e doce – foi a nossa despedida muda. Desesperado, corri ao consultório do médico. A secretária me disse que ele estava ocupado. Eu repliquei que meu pai estava morrendo e que se tratava de um caso de emergência. Ainda assim, ela nem me anunciou dizendo que ele estava ao telefone. Meti a mão na porta e entrei enquanto a secretária tentava me impedir. O médico estava mesmo ao telefone – negociando um carro. Meti a mão no gancho, desligando o telefone e dizendo que meu pai estava morrendo por culpa dele, num tom que traduzia o meu desespero tanto quanto meus gestos. Embora ele tenha atendido meu apelo e ido até a UTI, não havia mais nada a fazer. Meu pai morreu.

Lamento até hoje não ter convivido com meu pai como adulto. Até aquele momento eu ainda era um adolescente. Ele não conheceu minha esposa, nem meus filhos, nem acompanhou a pessoa que me tornei. Não testemunhou meus sucessos, não tive o seu consolo nos meus fracassos, nem seu conselho nos muitos problemas que enfrentei. Mas, principalmente, eu gostaria de ter podido lhe dar mais amor e retribuir todo o amor que dele recebi. Isso foi o que mais faltou.

Ao invés de deixar a casa paterna de acordo com a rotina tradicional, a casa paterna me abandonou à deriva. Essa falta repentina da figura paterna me deu a consciência imediata de que agora eu estava por mim e um senso de urgência quanto ao encaminhamento do resto da minha vida que antes eu não tinha. Foi um amadurecimento instantâneo.

Apesar da ocorrência adversa e inesperada, eu acreditava muito em mim. Não sei quem me consultou se eu gostaria de tentar o concurso, me tornar Oficial do Registro Civil e ficar com o Cartório que era do meu pai. Se eu passasse, mesmo sem ser em primeiro lugar, teria direito a permanecer com a concessão. Recusei. Muito por influência da minha mãe, que vivia criticando o pai por fazer um serviço repetitivo e burocrático, nada criativo. Eu realmente não seria feliz fazendo só aquilo. Uma das minhas características é ser ambicioso. Não por dinheiro, meu desejo (ou minha carência) é de realização e reconhecimento. Na verdade, eu não tinha nenhuma noção do mercado, mas acreditava que poderia ter sucesso na engenharia. Talvez também pudesse ter tido sucesso como dono de cartório encaminhando em paralelo a carreira empreendedora que tive, mas acho que não conseguiria. No fim das contas, para realizar um valor, quase sempre é preciso renunciar a outro. Minha herança foi uma poupança no valor de um apartamento pequeno e o automóvel Opala.

Resolvi ali mesmo que eu iria terminar a faculdade o quanto antes, pois eu ficara numa boa situação econômica, mas numa péssima situação financeira – tinha patrimônio, mas não tinha renda. Tinha carro, mas não tinha dinheiro para a gasolina. Também me dei conta de que o pai era um esteio emocional para a mãe e que agora esse encargo passava a ser meu. Minha mãe era uma pessoa insegura, que escondia seus medos por trás de uma agressividade que se manifestava à menor mostra de perigo real ou imaginado. Apesar da minha imensa vontade de morar sozinho e me afastar dela, continuei morando com a mãe, mas comecei a procurar um apartamento para comprar.

 

Autonomia
Lá por abril de 1975 comprei um apartamento de dois quartos e sala na Av. Lajeado 496. Para melhorar sua renda, minha mãe alugou para um inquilino o apartamento onde morávamos e veio morar provisoriamente comigo. Apesar de sua carência e insegurança, ou justamente por reconhecê-las, minha mãe sentia que seria um fardo para mim. Após um tempo, ela foi morar num pequeno apartamento de subsolo na rua Fernando Machado, que era dela e desalugou. Não foi sem algum remorso que me afastei, mas a sensação de júbilo e de liberdade superou em muito o sentimento de culpa. No quarto que ela ocupava fiz um escritório e me senti como em um palácio. Finalmente, eu realizava o sonho da autonomia e me liberava de uma relação que, eventualmente, se tornava tóxica para mim.

Fiz as contas e verifiquei que, se eu ganhasse Cr$ 1500 (mil e quinhentos cruzeiros) eu poderia me sustentar. Tendo um apartamento próprio e um carro, eu me considerava, e era, um privilegiado, mesmo tendo que ganhar o sustento a cada mês. Precisava apenas pagar comida, condomínio, gasolina. Eu posava como modelo para fotos de publicidade, ganhando Cr$ 500 por foto e Cr$ 1500 por filme. Na monitoria da faculdade eu ganhava R$ 380. Não era sempre que havia trabalho fotográfico, mas quando conseguia, me sentia rico.

 

Entre a Segurança e o Aprendizado
Meu primo Flávio era estagiário no LED (Laboratório de Eletrônica Digital do Instituto de Física), onde ganhava CR$ 500/mês e aprendia bastante na prática. Pleiteei o estágio e fui aceito. Era isso que eu queria: unir o útil ao necessário. Realmente no LED se colocava a mão na massa. Aprendi a polarizar um transístor, mas principalmente conheci a eletrônica digital e os circuitos integrados. Alguns colegas estagiários me ajudaram muito, particularmente o Gerbase e o Gerson Mader. Embora o velho rádio Teleunião continuasse estragado, tive uma prova de fogo do meu conhecimento de eletrônica. O advogado amigo que fizera o inventário do espólio do meu pai comprara uma calculadora de mesa na Argentina cuja voltagem era 220V e só conseguiria usá-la acoplada a um transformador que era muito mais pesado do que a calculadora e pouco ergonômico. Eu sabia (teoricamente) que a mudança de voltagem poderia ser feita rebobinando o transformador da fonte de alimentação interna da calculadora e disse a ele que não precisaria comprar o transformador, pois no LED havia uma máquina especial para enrolar transformadores. Levei a máquina. Quando a abri, verifiquei que se tratava de uma única placa com um grande circuito integrado desconhecido e inidentificável e uma fonte de alimentação. Fiz os cálculos das bobinas, dessoldei e rebobinei o transformador, soldei de volta, liguei a máquina e… nada. Me apavorei. Achei que tinha queimado o circuito integrado. Chamei o Gerson Mader para verificar o que eu poderia ter errado. Ele simplesmente inverteu a polaridade da saída do transformador, soltando e soldando de novo os dois fios e… milagre! A máquina funcionou. Minha sensação de alívio e gratidão foi imensa. Contei para os colegas minha peripécia e um colega com quem eu não tinha proximidade e que, depois, viria a ser meu sócio, debochou da minha ignorância de um jeito que me fez antipatizar com ele.

Paralelamente apareceu outra oportunidade: um estágio de 3 meses na CRT, a companhia estatal e monopolística de telefonia do RS. O estágio pagava uma bolsa de exatamente R$1.500,00 e, ao fim, os selecionados seriam contratados pelo dobro do valor da bolsa como Auxiliares Técnico-Científicos em tempo parcial até completarem a faculdade, passando depois a engenheiros plenos. Eu estava no penúltimo ano da engenharia, ainda frustrado com o nível da escola e com a falta de conhecimento prático de eletrônica. Também não via muitas oportunidades de emprego fora da CRT. Fui fazer o estágio. Passei por 3 departamentos: Redes, Operações e o Laboratório. Eu queria colocar a mão na massa e aprender eletrônica de fato. Exceto pelo Laboratório, os outros departamentos eram muito mais burocráticos do que tecnológicos.

No Departamento de Redes aprendi o que eram o Distribuidor Geral (DG) e as Caixas de Distribuição (CDs) nos postes e nos edifícios. Era muito mais sobre lidar com “cabistas” – os operários que passavam os cabos de pares pelas tubulações e postes e ligavam os pares nas CDs – uma questão mais política do que técnica.

No Departamento de Operações fiquei no Setor de Assinações. Esse era pura burocracia. Tratava-se de identificar em cartelas de papel as terminações dos pares nos cabos associadas a um dado número de telefone na central. O chefe do setor era um “alemão” rígido, implantando um sistema de controle de saídas durante o expediente. Eu tive de sair um dia para tratar de um assunto relativo ao inventário do meu pai. Quando fui assinar o livro das saídas, fui cercado por uns seis funcionários que me puseram a par do movimento de revolta dos funcionários que se recusavam a registrar no livro as horas de saída e retorno para tratar de assuntos particulares. Aleguei que eu não era funcionário, mas só um estagiário, mas eles me disseram claramente que, se eu assinasse, seria marcado como um traidor da classe. Saí sem assinar. Quando voltei, fui chamado diretamente à sala do chefe, que me questionou por que eu não havia assinado a saída. Expliquei que tinha sido meio que coagido e que achava que não precisaria assinar, já que eu era estagiário. Ele disse que eu havia escolhido um lado e o havia desrespeitado e que registraria isso no relatório do meu estágio. Ainda fiquei uns dias num outro setor responsável pelos projetos arquitetônicos e de engenharia civil para a construção das centrais telefônicas. Ali conheci um auxiliar técnico, estudante de arquitetura, que era muito respeitado tecnicamente pelos colegas. Era o Terra Lima, que mais tarde se tornou sócio de outro conhecido em empreendimentos imobiliários, com destaque para o condomínio Terraville em Belém Novo.

No terceiro mês fui para o Laboratório, que ficava no último andar do então novo prédio da Bela Vista. Ali se consertavam os rádios monocanais e me dediquei realmente a aprender não só a prática do conserto, mas a teoria por trás do funcionamento dos rádios. Entretanto, meu interesse era o desenvolvimento de equipamentos e não apenas a sua compra ou manutenção – afinal, parecia que era para isso que estudávamos. Minha dedicação foi reconhecida pelo chefe do setor, que me assegurou que eu seria contratado e que ele iria requerer que eu fosse trabalhar no laboratório. Saí confiante de que estaria contratado e, portanto, assegurado financeiramente. Mas também saí desiludido com a perspectiva de trabalhar numa empresa pública, onde a ética de trabalho parecia ser a lei do menor esforço e onde a possibilidade de desenvolvimento técnico era praticamente nula.

Antes da contratação tínhamos de preencher alguns requisitos burocráticos: apresentar documentos e histórico escolar, assinar alguns papéis e fazer exames médico e psicotécnico. Eu já havia feito dezenas de testes de QI e exames psicotécnicos no Aplicação e tinha me saído muito bem em todos eles. O exame psicotécnico foi conduzido por uma psicóloga muito jovem, de quem desconfiei que também fosse uma estagiária em período de teste. Ela era bem bonitinha. Acreditando que o exame fosse uma mera formalidade, quando a menina pediu que eu desenhasse uma figura humana, caprichei no desenho de um homem em pé, bem firme sobre o chão, com as mãos à mostra, detalhes que sabia serem considerados, menos por um deles – desenhei o homem nu só para observar a reação da menina enquanto a olhava sorrindo. Para minha surpresa, ela não sorriu de volta nem esboçou reação nenhuma. Apenas juntou o desenho ao resto da documentação e saiu da sala. Senti que tinha pisado na bola. Realmente, umas duas semanas depois veio o resultado de que eu não seria contratado. Fiquei mortificado. Pedi uma audiência com o Diretor Técnico da CRT. Alguns dias depois fui recebido. Disse que sabia que tinha sido preterido por causa do meu psicotécnico do homem pelado. Que eu não sabia por que tinha feito aquilo, mas que provavelmente era consequência do abalo de ter perdido meu pai recentemente, motivo pelo qual eu precisava realmente do emprego para me sustentar. Ele disse que iria pensar.

Já estávamos no fim de 1975 e o Flávio estava no primeiro ano do Curso de Pós-Graduação em Ciência da Computação (CPGCC), após passar por um rigoroso processo de nivelamento que incluía aulas e provas teóricas e práticas. Ele era da segunda turma do recém-criado CPGCC, iniciativa que reunia o pessoal do LED na área de hardware com o pessoal do CPD (Centro de Processamento de Dados) da UFRGS na área de software, sob os auspícios do Prof. Manoel Luiz Leão, chefe do CPD. O Flávio me falou que ganhava uma bolsa de estudos de Cr$1.500, exatamente o número mágico que cobriria as minhas despesas e era igual ao do estágio da CRT. Fui ao Prof. Philipe Navaux, que estava no cargo de Coordenador do CPGCC, e fiz a ele uma proposta indecorosa. Propus que me fosse permitido fazer o curso de nivelamento em paralelo com o último ano da faculdade. Se eu passasse no nivelamento, passaria a frequentar o primeiro ano da pós, ganhando a bolsa de estudos, mas se rodasse em alguma cadeira da graduação ou da pós eu devolveria o valor recebido com correção monetária. Surpreendentemente, em poucos dias o Prof. Navaux aceitou minha proposta. Sugeri ao meu colega Luís Gerbase que pleiteasse a mesma oportunidade e assim fomos os dois admitidos no nivelamento em condições especiais.

Nesse meio tempo, veio a resposta da CRT de que meu pleito havia sido considerado e que eu poderia ser contratado ganhando Cr$ 3 mil. Eu estava definitivamente desiludido com o serviço público e com a universidade pública. Reconheci que estava tendo a sorte de estar dentro de um movimento de renovação da universidade, onde se criava algo novo e não contaminado, impulsionado por uma inflexão tecnológica no sentido da tecnologia digital. Sacrifiquei mais uma vez a segurança de um salário maior pela aposta na minha capacidade de aprender e nem apareci na CRT para agradecer a deferência. Até hoje me envergonho disso – um pouco por ter desenhado o homem nu, mas muito mais por não ter agradecido ao diretor.

 

A Pós-graduação em Computação
O curso de nivelamento para o CPGCC começou nas férias, acho que foi de janeiro a março de 1976. Além do Gerbase, meus colegas mais próximos foram o Casarin de Pelotas, o Reginaldo Caetano e o Francisco Amaral Wendt. Os dois últimos tinham uma realidade diferente da nossa – eram mais velhos, casados e professores contratados de universidades do interior. O Wendt era chefe do CPD da UFSM e o Caetano acho que era professor da UFPel. O curso foi bem puxado. Nossas tarefas de programação não só exigiam cérebro, mas muito trabalho físico, pois programávamos em máquinas de perfurar cartões razoavelmente disputadas por alunos e programadores – cada linha de programa em Algol ou Fortran era um cartão perfurado. O programa era colocado em caixas de papelão com centenas de cartões, levado de ônibus até o CPD , onde era lido, impresso, compilado, executado e os formulários mostravam os erros de sintaxe ou os resultados, geralmente errados. Corrigíamos redigitando, trocando os cartões e essas iterações se repetiam até que os resultados saíssem corretos ou que o prazo se esgotasse.

 

Prédio do CPD da UFRS na década de 70

 

Acabei passando. Sinceramente, não me julgo inteligente. Também não sou burro – apenas meio lento. Mas sou esforçado e persistente e um tanto arguto. Acho que foi por isso que passei. Ao longo da vida conheci muitas pessoas que reconheço serem bem mais inteligentes do que eu, entre elas meu primo Flávio, o Luís Gerbase e o Francisco Wendt. Me marcou muito o ocorrido durante o nivelamento. Um dos trabalhos era o desenvolvimento de um programa bem complicado. Meu programa já tinha centenas de linhas – uma caixa inteira de cartões – e ainda não dava o resultado certo depois de inúmeras correções que implicavam ir até o CPD, colocar os cartões na fila de leitura, esperar a compilação e execução no B6700, verificar os resultados impressos, encontrar erros de sintaxe ou de lógica, corrigir as instruções, perfurar cartões e refazer o ciclo do calvário. Eu e o Casarin, que partimos logo para a execução, passávamos a tarde e entrávamos noite adentro no CPD refazendo o ciclo do calvário. Enquanto isso, o Wendt ficava na Pós, “só” pensando. Lembro bem da postura dele: recostado na cadeira, braço direito levantado, acariciando a nuca. Eu pensando que ele estava perdendo tempo de teste. Uma tarde chegou o Wendt no CPD com um punhado de cartões que podia ser segurado entre o polegar e o indicador. Senti pena dele. Realmente, ele passou pelo calvário uma ou duas vezes e… seu programa funcionou perfeitamente.

Naquela época, computador era de grande porte – os mainframes, que ocupavam salas inteiras em vários racks de 19 polegadas. A IBM dominava a cena e bem atrás vinham Burroughs, Sperry Univac, Honeywell, NCR, Control Data, RCA e GE – tanto que o mercado brincava que era como a Branca de Neve e os Sete Anões. No Brasil não era diferente – grandes empresas públicas e privadas, as várias repartições das esferas federal e estaduais, universidades e os assim chamados birôs, que prestavam serviços de processamento de dados para clientes diversos, importaram uma enxurrada de mainframes nas décadas de 60 e 70, principalmente da IBM. Na década de 60, a UFRGS inaugurou seu Centro de Processamento de Dados com um IBM1130, mas em 1973 comprou um mainframe da Burroughs (o B6700) em condições vantajosas.

 


O B6700 da UFRGS

 
No início da década de 70 havia uma nova onda chegando: os minicomputadores – mais baratos e montados em um só gabinete de rack voltados para aplicações específicas e geralmente vendidos em regime de OEM (Original Equipment Manufacturer), que os usavam em sistemas de automação e outros. O CPGCC tinha dois minicomputadores: um PDP11 da Digital Equipment (que dominava o mercado de minis mundial) e um HP 2100. Embora o PDP11 fosse mais rápido e mais “padrão” de desenvolvimento, eu preferia o HP2100, primeiro por ser menos concorrido. Pela primeira vez eu pude usar um computador só para mim (pelo menos durante algumas horas), e podia compartilhar um disco removível de 10 MB com outros dois colegas . Em segundo lugar, pela facilidade de uso. Enquanto no PDP a entrada de dados era em linguagem de máquina pelo painel ou leitores de fita, no HP2100 era através de um console de vídeo e os programas fonte ou executáveis eram armazenados em disco.
O PDP era o centro do SED (Sistema de Entrada de Dados), que começou como um emulador das estações de entrada de dados para os mainframes fabricados pela IBM e Olivetti. Ao redor dele se desenvolveram várias teses de partes mais ou menos sofisticadas de controladores de periféricos – desde gravadores de fita K7 até leitoras de discos que estavam cada vez mais compactos. O sistema ficou tão sofisticado e cheio de penduricalhos que eu pensava que, se ele fosse podado, poderia ser usado de uma forma mais amigável, como eu usava o HP.

O ano era 1975. Apenas um ano antes, a Intel lançara o 8080, primeiro microprocessador de 8 bits com 16 KB de memória. Isso foi uma revolução e nós da PGCC estávamos na crista da onda, usando os microprocessadores mais novos assim que eram lançados pela própria Intel, pela Zilog ou Motorola, desenvolvendo sistemas operacionais para eles antes mesmo do CP/M. Mas todos os desenvolvimentos eram de equipamentos com propósito específico que empregavam os microprocessadores como componentes. Muitos destes equipamentos eram complementos para o SED.

Além dos microprocessadores, outra área de pesquisa na PGCC era a de Comunicação de Dados, que foi a que escolhi. Acho que minha experiência na CRT influenciou essa escolha. Até ali, a eletrônica digital ainda não tinha se imposto. Falava-se em telecomunicações (telefonia, rádio, televisão) e em computadores. A palavra “informática” não era usada. Minha visão era de que os computadores (mainframes) seriam usados desde as casas em sistemas multiusuários e multitarefas.

Na PGCC, a parte de hardware da Comunicação de Dados gravitava em torno do Prof. Juergen Rochol, que tinha desenvolvido o primeiro modem brasileiro de 1200 bps, objeto de um exitoso processo de transferência de tecnologia da Universidade para a PARKS , que fabricava alarmes e que, com essa experiência, diversificou sua atuação para a área de telecomunicações. A parte de software e protocolos era liderada pela Profa. Liane Tarouco, que havia sido minha professora de Física no Aplicação. Entre os dois ficava o Francisco Bernardo Moser Filho, um aluno da primeira turma da Pós que agora já orientava alunos entrantes. Ele era um tipo gênio e por isso o escolhi como orientador. Mas creio que minha admiração por ele não era recíproca e não rolou muita química entre nós. Tanto que, para orientar minha tese, escolhi o Sérgio Bordini, outro gênio da eletrônica. É interessante como o perfil gênio técnico com capacidade intelectual diferenciada frequentemente se associa a uma certa timidez. Na PGCC esse perfil era predominante, mas havia bastante camaradagem e sociabilidade entre todos.

 

Juergen
Posteriormente, Juergen veio a ser meu sócio e amigo e revelou-se uma das melhores pessoas que conheci. Seu nome era motivo de piada. Quando um atendente perguntava o nome do Juergen para preencher um formulário, ele respondia em bom alemão: “Jürgen Rohhol , se escreve como se pronuncia”. Depois de uma pausa diante do atendente atônito, ele então soletrava: “J-u-e-r-g-e-n-espaço-R-o-c-h-o-l”.

A família do Juergen veio para o Brasil logo após o fim da Segunda Guerra. O germanismo que tinha ganho muitos simpatizantes no início da guerra era agora odiado e hostilizado. Nomes alemães, como Jürgen, tinham de ser convertidos para o português. O encarregado na imigração resolveu que a grafia “correta” para preservar a pronúncia seria Juergen, e assim foi ele rebatizado. E para o resto da vida ele carregou o estigma de um nome indecifrável. Para simplificar, em situações menos formais, ele respondia que seu nome era Jorge Rocha. Acontece que entrou como estagiário no laboratório da PGCC um aluno cujo nome era… Jorge Rocha.

Embora eu não fosse muito próximo do Juergen nessa época, eu sabia que ele tinha um barco à vela e que gostava de navegar nos fins de semana. Ele convidou seu quase homônimo Jorge Rocha para navegar pelo Guaíba e Lagoa dos Patos. Quando foi atracar, o Juergen pediu ao Jorge Rocha (que nunca havia navegado) que jogasse a âncora e este obedeceu ao comando incontinenti: jogou a âncora sem amarrá-la. Literalmente, jogou a âncora fora. O Juergen deu um grito e mergulhou atrás da âncora, mas já era tarde. Isso foi lá por dezembro e no Natal demos de presente para o Juergen uma âncora de isopor.

 

O computador pessoal antes do Jobs
No início de 1976 eu perguntei ao Bordini por que nós não desenvolvíamos um computador portátil baseado em microprocessador que ligasse num monitor ou na TV e tivesse uma disqueteira de 5 polegadas para ser usado como eu usava o HP. Ele me respondeu que eu ainda não sabia o que era um computador e todas as suas complexidades. Me envergonhei da minha “ignorância” e me recolhi à minha insignificância, até porque eu ainda estava na pós por um favor excepcional, sem ter completado o último ano da faculdade. Naquele mesmo ano, o Steve Jobs, que não tinha feito nem faculdade nem tinha um orientador, criou o Apple I, o primeiro computador pessoal, bem nos moldes daquilo que eu imaginara ser possível.

 

A inspiração para empreender
Nas cadeiras de eletrônica da Escola de Engenharia Elétrica, usávamos osciloscópios fabricados na Hungria, não sei por que cargas d’água. Tenho curiosidade de conhecer a história da compra desses aparelhos . Como estagiário no LED (do Instituto de Física) tive acesso aos então modernos osciloscópios HP. A HP já era para mim sinônimo de uma sofisticação tecnológica impossível de ser alcançada pelo (ou no) Brasil. A Biblioteca da Física também era muito mais atualizada do que a da Engenharia, com diversos periódicos que traziam artigos científicos sobre as mais recentes evoluções tecnológicas. A revista Electronics estava mais para uma vulgarização dos avanços tecnológicos, falando também das empresas que se tornavam cada vez mais expressivas no mercado. Numa edição de 1977, eles publicaram uma matéria sobre a origem do Vale do Silício e o papel central do Prof. Terman e da HP nessa história.

 

David Packard e Bill Hewlett em sua garagem

 

Nessa matéria, havia uma fotografia de David Packard e Bill Hewlett em sua garagem. Eu já estava na pós, cujo laboratório era tão ou mais tecnológico do que aquele que eu via na fotografia. Me fiz a pergunta que eu deveria ter-me feito quando meu orientador disse que um computador pessoal era inexequível: por que não começar uma empresa que usasse a capacidade de desenvolvimento que eu via à minha volta? Foi ali que eu decidi empreender. Não sabia bem o que fazer – qual produto, mas tinha plena convicção de que aquele grupo de pessoas do qual eu fazia parte era diferenciado e que poderia desenvolver tecnologia nacional.

Me incomodava (e continua incomodando) a distância que há no Brasil entre a pesquisa, eminentemente acadêmica, e o mercado. Isso melhorou um pouco (muito pouco) desde lá . Existem várias razões para isso.
1) A educação básica é falha e não forma o capital humano com capacidade de investir em pesquisa e desenvolvimento.
2) A pesquisa no Brasil é feita principalmente em universidades públicas, onde o espírito do “funcionalismo público” é o oposto do espírito empreendedor. Inclusive, na maioria destas universidades, os departamentos de “ciências duras” recebem tantas ou menos verbas para pesquisa do que os de “ciências humanas”. Verbas essas que, no seu total, já são escassas e insuficientes.
3) Os capitais privados nacionais também são escassos e são oriundos de setores econômicos de baixo agregado tecnológico. De lá para cá, o agro passou a investir mais em pesquisa e inovação.
4) Nos setores mais dinâmicos de ciência e tecnologia, o Brasil é caudatário, desenvolvendo aplicações em cima de plataformas importadas, o que as valoriza e aumenta a sua dependência e a distância que o separa dos líderes.

O desenvolvimento tecnológico do Brasil se tornou um ideal, uma missão e um propósito. Criar e viabilizar uma empresa que desenvolvesse tecnologia e me remunerasse no mesmo nível que as alternativas de mercado de então se tornou uma ambição.

Também não posso negar uma outra motivação – resquícios da minha militância de esquerda. Ser um empregador e não um empregado me colocaria no lado privilegiado da mais valia. Além disso, eu prezava muito o ser dono do meu tempo – não para trabalhar menos, até para trabalhar mais, mas sim quando eu quisesse e não em “horários de trabalho”.

 

Reserva de Mercado da Informática
O propósito do desenvolvimento tecnológico nacional não era só meu. Em várias universidades no Brasil inteiro, muitos jovens estudantes ansiavam por desenvolver tecnologia para o mercado e não apenas usar tecnologia desenvolvida no exterior.

O Brasil era classificado como um país subdesenvolvido ou em vias de desenvolvimento. As teses cepalinas de Raúl Prebisch, formulador do estruturalismo latino-americano, questionavam a teoria econômica liberal ortodoxa e a ideia de vantagens comparativas, propondo que o subdesenvolvimento da América Latina era uma condição estrutural, não apenas uma fase temporária. O atraso tecnológico era visto como parte desta condição e a substituição de importações seria o caminho para uma industrialização acelerada, que permitiria superar o subdesenvolvimento e a dependência tecnológica. A tese da “deterioração dos termos de troca” entre países centrais produtores de tecnologia e os países periféricos produtores de bens primários apontava a tendência para a queda dos preços relativos destes em relação àqueles teria duas consequências. Primeiro, a apropriação desigual do desenvolvimento tecnológico em lucros e salários mais altos nos países centrais. Segundo a tendência ao desequilíbrio na balança de pagamentos. De fato, os anos do “milagre brasileiro” tinham ficado para trás e o Brasil sofria com uma balança comercial cada vez mais deficitária, sendo que a rubrica “computadores e periféricos” era um dos itens que mais pesava nas importações. Essas eram teses de matiz terceiro-mundista, para não dizer de esquerda. Acredito que as teses permanecem essencialmente válidas, mas creio que a substituição de importações não é sustentável a longo prazo sem um investimento pesado em educação básica e sem algum mecanismo de atração de capital dos países centrais.

Os militares (que estavam no poder) se deram conta de que as armas (navios, aviões, tanques) eram cada vez mais tecnológicas e que em uma eventual guerra a dependência tecnológica seria uma fraqueza fatal. A Marinha resolveu financiar o desenvolvimento de um computador nacional, cujo hardware seria desenvolvido pela USP e cujo software ficaria a cargo da PUC-RJ. O projeto Patinho Feio foi um marco e fomentou a criação de uma militância universitária que clamava por investimento em pesquisa e por uma política industrial que privilegiasse o desenvolvimento tecnológico.

Essa aliança paradoxal da esquerda universitária com o nacionalismo da ditadura militar foi o que sustentou a política desenvolvimentista e protecionista da Reserva de Mercado para a área de Informática, da qual eu fui um ardente defensor e (admito) um razoável beneficiário. De fato, o protecionismo começou para regular a balança comercial com a criação da CAPRE , uma autarquia que tinha a missão de aprovar as importações de computadores e periféricos por parte de todas as esferas governamentais, incluindo as empresas estatais, e que, posteriormente, passou a autorizar inclusive as importações das empresas privadas.

Em 1976, professores e alunos da CPGCC fretamos um ônibus para participar do SEMISH (Seminário Integrado de Software e Hardware) em Belo Horizonte. Houve muitas apresentações técnicas de assuntos específicos nas muitas salas do local, mas as sessões plenárias do salão principal foram dominadas pela questão política e uma unânime defesa de uma política industrial que privilegiasse o efetivo desenvolvimento tecnológico local. Foi ali que ouvi a excelente exposição do Ivan da Costa Marques distinguindo tecnologia de desenvolvimento, tecnologia de produção e tecnologia de uso.

Defendi a Reserva de Mercado e, se não fosse por ela, creio que a Digitel e a Altus não teriam chegado ao ponto que chegaram. Realmente fomos capazes de desenvolver tecnologia competitiva. Várias outras empresas surgiram e se viabilizaram graças a ela. Entretanto, o foco principal, que foi a proteção para o desenvolvimento de minicomputadores baseado em transferência de tecnologia, embora tenha servido para formar uma geração de engenheiros que, posteriormente, permitiu o desenvolvimento de uma tecnologia bancária de primeiro mundo, teve várias falhas estratégicas que acabaram por desacreditar a política.

De 1982 a 84, a Reserva de Mercado para a informática esteve sob ataque. Era um tema polêmico, que adquiriu status político relevante, dividindo opiniões e interesses diversos. De um lado estavam os militares no poder, através da SEI, apoiados pela comunidade acadêmica e pela nascente e incipiente indústria de informática, representada pela ABICOMP . Do outro estavam os usuários de computadores: indústria tradicional, grandes empresas de mídia, bancos etc. Os interesses mais contrariados eram os dos usuários de computadores de grande porte, por vezes “forçados” a adotar soluções baseadas em minicomputadores, quando não conseguiam provar a necessidade de computadores mais específicos.

Além disso, o Brasil já tinha também os seus fabricantes de PCs compatíveis com os da IBM, que vinham substituindo os PCs da Apple. Os PCs brasileiros eram bem mais caros do que os importados, mesmo com taxas de importação elevadas. O uso de computadores por pessoas físicas ainda não estava disseminado, mas as empresas já os vinham adotando em redes locais.

Um caso particular foi o banco Itaú. Embora fosse um grande usuário de computadores de grande porte, ele criou a Itautec para desenvolver PCs e soluções específicas dentro do espírito da Reserva de Mercado. Essa iniciativa o colocou, mais tarde, na vanguarda de soluções bancárias avançadas, até mesmo adiante de congêneres nos EUA.
Eu me integrei de corpo e alma na defesa da Reserva de Mercado. Entrei para a diretoria da Abicomp. Em 1983 o ataque recrudesceu. A grande mídia, Globo à frente, era contra e a FIESP se manifestou publicamente afirmando que esta política, ao invés de fomentar, estava atrasando o desenvolvimento da indústria nacional. Se o setor empresarial não desse apoio, provavelmente o governo militar não sustentaria mais esse desgaste.

No Rio Grande do Sul, a Federasul, comandada por César Rogério Valente, endossou o posicionamento da FIESP. A FIERGS não se manifestara e o Newton Braga Rosa me procurou alertando que, se a FIERGS apoiasse a FIESP, seria provavelmente o fim da Reserva de Mercado. Ele conhecia o secretário executivo da FIERGS, Djalma Requião, e marcamos uma reunião com ele. Djalma, que era ex-IBM, surpreendentemente, foi simpático à nossa causa. Ele relatou que o Sindicato da Indústria Metalúrgica tinha uma posição contrária à Reserva de Mercado, sendo o Tito Lívio Goron, diretor da Albarus (acho que era o presidente do Sindicato), certamente, o maior porta-voz desta corrente.

Não existia um sindicato da indústria eletrônica. As incipientes indústrias eletrônicas eram enquadradas como indústrias metalúrgicas, o que comprovava o atraso tecnológico do nosso parque industrial. Djalma propôs que criássemos um sindicato, orientando que o primeiro passo para isso seria a criação de uma Comissão Especial dentro do Sindicato Metalúrgico. Eu concordei com a criação da Comissão, mas me opus à criação de um sindicato, pois acreditava (e ainda acredito) que empresários e empregados deste setor deveriam sempre manter uma mentalidade empreendedora e não de conflito de classes. Minha tese é que o empregado de hoje pode ser o “coopetidor” de amanhã e que a melhor forma de crescer é fomentar o surgimento de spin-offs dentro das empresas. Considero que a mentalidade de oposição de interesses e de conflito de classes por trás da estrutura sindical, instaurada pela CLT, inibe, e até mesmo sufoca, o empreendedorismo.

Djalma arranjou uma reunião com o presidente da FIERGS, Luiz Octávio Vieira, na qual combinamos que seria convocada uma reunião do Sindicato Metalúrgico com dois itens na pauta: (1) criar a Comissão Especial de Informática dentro do Sindicato; e (2) tirar uma posição sobre a Reserva de Mercado, que seria subscrita pela FIERGS. Liguei para os donos ou diretores de todas as empresas que conhecia: Altus, BCM, Novus, Elo, Parks, Metrixer, Edisa, Polimax etc. No dia da reunião, estávamos em mais de 10 representantes das empresas favoráveis à (e beneficiadas pela) Reserva de Mercado contra um isolado Goron. A Comissão foi criada, fui eleito seu presidente e a posição majoritária foi pelo apoio à Reserva de Mercado. O Djalma preparou o comunicado à imprensa e submeteu a mim e ao Newton. Foi uma bomba e um gol para, pelo menos, empatar a disputa.

Fui convocado pelo Luiz Octávio para defender a posição da FIERGS num debate na televisão com o César Rogério Valente. Estudei o tema do protecionismo e citei Friedrich Liszt, o Buy American Act e a política adotada pela Coreia do Sul como exemplos. Distingui a tecnologia de desenvolvimento da tecnologia de uso, mostrando que o uso de tecnologias estrangeiras só aumentava a dependência a longo prazo e a deterioração dos termos de troca. O Valente desconhecia todos esses casos e argumentos e ficou repetindo a ladainha do atraso no uso das tecnologias mais modernas. Ganhei o debate e fui cumprimentado pelo Luiz Octávio, que se converteu num defensor da Reserva.

O Congresso também estava dividido, mas conseguimos o apoio de dois congressistas influentes do RS: o senador Chiarelli e o deputado Ibsen Pinheiro. Lembro de um jantar com o Ibsen e o Pimenta da Veiga, deputado por Minas Gerais, simpáticos à causa, em que os municiei de vários números e argumentos. Fui convocado pela Abicomp para comparecer a uma audiência pública de uma comissão do congresso que discutia a Reserva de Mercado. Ouvi a fala do Roberto Campos, que defendia um protecionismo por taxas elevadas, mas era contrário à proibição de importação. Confesso que hoje sou simpático à ideia.

Em 1984, Newton e eu assessoramos o Senador Chiarelli na redação da minuta da Lei de Informática que, finalmente, instituiu a Reserva de Mercado, posteriormente sepultada em 1991.

 

Jaime Wagner

Imagem: Canva