A Coruja de Minerva

“Mesmo ao dizer algumas palavras sobre a doutrina de como deve ser o mundo, a filosofia sempre chega tarde demais. Enquanto pensamento do mundo, ela aparece pela primeira vez depois que a realidade completou o seu processo de formação e já está pronta e acabada…Quando a filosofia pinta em claro-escuro, então um aspecto da vida envelheceu e não se deixa rejuvenescer pelo claro-escuro, mas apenas reconhecer: a coruja de Minerva levanta voo ao cair do crepúsculo.”
WILHELM FRIEDRICH HEGEL

Atena ou Minerva era a deusa da sabedoria na mitologia greco-romana. Sempre acompanhada por uma coruja. Talvez pela capacidade desta de enxergar no escuro, já que a visão se associa ao saber e a escuridão à ignorância.

A frase de Hegel que serve de epígrafe a esse texto refere que a sabedoria – o reconhecimento da realidade – sempre vem após esta e não se presta para iluminar ou desenhar o caminho à frente como a ciência faz.

A coruja de Minerva só voa ao entardecer. Mas o entardecer pode ter outra interpretação. A de que a sabedoria só vem com a idade.

De fato, creio que sabedoria não se confunde com filosofia, conhecimento ou ciência. Todas elas contribuem para a sabedoria, mas ficam aquém. Sabedoria é saber viver, e tem muito mais a ver com a capacidade de dominar a si mesmo do que com o domínio do conhecimento ou outros instrumentos de poder.

E a capacidade de autocontrole é, no fim das contas, uma questão hormonal. Porque, no fundo, a sabedoria está ligada ao controle das emoções, que se manifesta na interação entre o temperamento herdado biologicamente e o caráter formado pela educação e forjado pela reflexão. Sabedoria é a prática das virtudes no difícil equilíbrio entre a falta e o excesso.

A moderação é difícil para um temperamento forte, característico dos mais jovens. Entretanto, essa vitalidade não precisa ser castrada por uma educação rígida que a exclua em nome da obediência. Pode sim ser canalizada para a criação e a atividade produtiva.

Moderação, equilíbrio e calma são mais fáceis para os mais velhos, em cujo corpo os humores não mais estão em torvelinho. E essas três virtudes são chaves para aquilo que se pode entender como sabedoria.

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